MATO GROSSO
Corpo de Bombeiros reforça formação de brigadas florestais em Mato Grosso
MATO GROSSO
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) tem ampliado as ações de capacitação para formação de brigadas florestais em áreas rurais de diferentes regiões do Estado. A iniciativa busca fortalecer a prevenção e aprimorar a resposta inicial a incêndios florestais durante o período de estiagem.
Prognósticos climáticos indicam que, no segundo semestre deste ano, Mato Grosso poderá enfrentar um período de seca severa em razão do El Niño, que deve reduzir a frequência e o volume de chuvas em diversas regiões do Brasil, especialmente no Centro-Oeste, além de elevar as temperaturas médias.
Este cenário climático pode favorecer a ocorrência de grandes incêndios florestais no Estado. Por isso, o fortalecimento das brigadas florestais é uma medida estratégica para ampliar a capacidade de primeira resposta nas regiões, de acordo com o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), tenente-coronel BM Heitor Alves de Souza.
“Essas capacitações são fundamentais para preparar as comunidades e os trabalhadores que estão diretamente nas áreas rurais. Quanto mais pessoas treinadas para atuar nos primeiros momentos de um incêndio, maiores são as chances de controlar as chamas antes que elas ganhem grandes proporções”, destacou.
O tenente-coronel também ressaltou que o trabalho preventivo se torna ainda mais importante diante das previsões climáticas para este ano. “Os prognósticos indicam um período de estiagem mais severo do que em outros anos. Por isso, estamos intensificando as ações de preparação e prevenção em todo o Estado”, afirmou.
Em Campo Verde, militares da 11ª Companhia Independente Bombeiro Militar (11ª CIBM) promoveram uma etapa do curso de Formação de Brigada Florestal na Agrovila João Ponce de Arruda. A atividade reuniu trabalhadores rurais e colaboradores da Fazenda Marajoara, que receberam orientações teóricas e práticas sobre combate inicial a incêndios em vegetação, gestão de suprimentos e Atendimento Pré-Hospitalar (APH).
Um dos destaques da capacitação foi a simulação com fogo real, realizada em ambiente controlado e seguro. A prática permitiu aos participantes aplicarem técnicas de controle, combate e supressão das chamas, ampliando o preparo operacional para situações reais. A ação contou com apoio da Prefeitura de Campo Verde, além da Defesa Civil Municipal e do Sindicato Rural.
Pantanal
Já em Cáceres, a 2ª Companhia Independente Bombeiro Militar (2ª CIBM) iniciou, na quarta-feira (27.5), uma formação voltada a profissionais e funcionários de fazendas da região pantaneira, com foco em atendimento pré-hospitalar e suporte básico em áreas de difícil acesso.
O treinamento abordou procedimentos iniciais para emergências de saúde até a chegada do atendimento especializado. Entre os temas trabalhados estiveram reanimação cardiopulmonar (RCP), desobstrução de vias aéreas, atendimento a ferimentos e queimaduras, bem como ocorrências envolvendo animais peçonhentos e episódios de síncope.
Além do atendimento pré-hospitalar, a capacitação também irá abordar a prática de combate inicial aos incêndios florestais, com o objetivo de ampliar a preparação das equipes que atuam em regiões de maior incidência de incêndios florestais, além de fortalecer a cultura de prevenção e autoproteção no meio rural.
Período proibitivo
Para as ações de combate a incêndios florestais e desmatamento ilegal, o Governo do Estado vai aplicar R$ 134 milhões em ações voltadas para proteção, repressão e prevenção desses dois crimes ambientais. Em Mato Grosso, o período proibitivo do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas nos biomas Pantanal, Cerrado e Amazônia vigora oficialmente de 1º de julho a 30 de novembro de 2026. A medida foi estabelecida pelo Governo do Estado por meio do Decreto Estadual nº 2.015/2026 para prevenir incêndios florestais.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Execução Penal: equilíbrio entre punir e preservar humanidade é apontado como desafio
“Com diálogos bem estruturados, todos são chamados à responsabilização. Sem responsabilidade e sem consciência, não há caminho de transformação. O ser humano fica à deriva por muito mais tempo”. Foi com essa constatação que a desembargadora Clarice Claudino da Silva abriu o Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, nesta quinta-feira (28), no auditório da Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá.
Ela representou o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, e ainda ressaltou o papel do encontro na promoção da integração institucional e no fortalecimento de ações voltadas à dignidade das pessoas privadas de liberdade. Ela também chamou atenção para os desafios estruturais do sistema e a necessidade de ampliar o diálogo e a construção de soluções conjuntas. Ao abordar caminhos para o aprimoramento da execução penal, enfatizou a relevância das práticas restaurativas, ao destacar o potencial dessa abordagem para promover mudanças efetivas.

Já o supervisor do Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud), no ato também representando a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), desembargador Wesley Sanchez Lacerda, reforçou a necessidade de tratar a execução penal com racionalidade e estratégia, e alertou para o fortalecimento das organizações criminosas no ambiente prisional. Ele também defendeu a importância da atuação conjunta para garantir resultados mais eficazes na ressocialização.
“O sistema penal não pode existir apenas para punir, mas precisa oferecer caminhos reais para que a pessoa privada de liberdade possa reconstruir sua vida e retornar à sociedade de forma digna e produtiva. A ressocialização não beneficia apenas quem cumpre pena, ela beneficia toda a sociedade. Quando o Estado investe em educação, trabalho e apoio dentro do sistema prisional, reduz a reincidência e amplia as chances de um futuro mais seguro. Precisamos ter a coragem de construir um sistema que não apenas puna, mas que transforme, porque a verdadeira justiça não termina com a sentença, ela começa ali”, destacou.

Ainda na abertura, durante a fala, a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente questionou: “Que tipo de sociedade nós estamos ajudando a construir quando falamos sobre execução penal?”. Coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal, ela finalizou o pensamento: “Porque nenhuma instituição é medida apenas pela sua capacidade de punir. Ela também é medida pela sua capacidade de preservar humanidade mesmo diante dos ambientes mais difíceis”.
Para a procuradora de Justiça, o sistema prisional coloca diariamente seus operadores diante de situações extremas, com o risco de reduzir as pessoas privadas de liberdade apenas aos seus erros, números ou processos. “Quando isso acontece, todos nós perdemos um pouco. Perdemos como instituições, perdemos como sociedade e perdemos principalmente a capacidade de acreditar em transformação. Talvez o maior desafio da execução penal contemporânea seja exatamente este: encontrar equilíbrio entre firmeza e humanidade, entre segurança e dignidade, entre controle e reconstrução”, afirmou.

Nesse contexto, o coordenador do Centro de Segurança e Inteligência (CSI), promotor de Justiça Mauro Zaque de Jesus, destacou a relevância do encontro como espaço de integração institucional e de construção coletiva de soluções. “Nós temos uma obrigação com a sociedade: entregar justiça e garantir que o cidadão experimente verdadeiramente a sensação de segurança. Isso passa, necessariamente, pelo sistema prisional. Mas não tem como nós pensarmos em justiça sem dignidade, sem humanidade, sem respeito à pessoa humana. Tenho certeza de que sairemos daqui melhores do que chegamos, em um momento de sinergia para buscar soluções e aprimorar nossa atuação”, defendeu.

Representando o procurador-geral de Justiça, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, destacou o caráter coletivo e integrador do evento. Segundo ela, o principal propósito do encontro é fortalecer a atuação conjunta entre as instituições, baseada na cooperação e no compartilhamento de experiências, especialmente diante de desafios estruturais que não podem ser enfrentados de forma isolada.
De acordo com a subprocuradora, o tema exige a superação de modelos tradicionais e uma atuação mais qualificada e inovadora. “É onde cruza de forma bastante intensa e evidente tanto a segurança pública, a justiça, a dignidade humana e o desafio permanente da ressocialização. E é justamente nesse ponto que eu convido a todos nós a uma reflexão. Não há política de segurança pública verdadeiramente eficaz sem uma execução penal que funcione. E também não há uma execução penal que funcione sem oportunidade de ressocialização”, considerou.

O coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro, enfatizou a relevância da participação interinstitucional no debate. “Este evento já demonstra sua importância e indispensabilidade para todos nós, comprometidos com essa missão constitucional e com esse chamado humanitário de tratar o cumprimento de pena, buscando formas de alcançar os melhores resultados possíveis na reinserção social”, afirmou.
Aprimoramento técnico
Durante dois dias, o encontro promove reflexões sobre a gestão do sistema prisional e a efetividade da execução penal no Brasil, com foco no uso da inteligência institucional e no aprimoramento técnico. A programação também destaca a dimensão transformadora da pena, com ênfase em políticas de ressocialização. O público reúne membros do Ministério Público, magistrados, profissionais das forças de segurança e especialistas do Sistema de Justiça.
Também compuseram o dispositivo de honra a promotora de Justiça Alessandra Gonçalves da Silva Godoi, representando o corregedor-geral do MPMT, o desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, e o presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto.
O encontro é realizado pelo MPMT, por meio do CAO da Execução Penal, do CSI e do Ceaf, em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, via Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e o Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud), com apoio da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT).
Com informações de Ana Luíza Anache/MPMT
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