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“Turismo em Ação”: Cases da Ilha do Combu e da Bahia mostram como gerar renda e proteger a floresta

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Na Green Zone da COP30, em Belém, o auditório lotado aguardava o início do painel “Turismo em ação: casos de sucesso no combate às mudanças climáticas”. Pedro da Cunha, diretor de Áreas Protegidas do MMA, quebrou o gelo lembrando um ponto simples e decisivo: proteger 30% do território só é possível com o apoio de, pelo menos, 30% da sociedade. Para ele, o turismo de natureza, quando bem planejado, transforma visitação em conservação, recreação em pertencimento e voto em política pública. É com esse foco que o Governo do Brasil, com Ministério do Turismo e Meio-ambiente: alinhar regras, estimular boas práticas e garantir que a experiência do visitante fortaleça, e não fragilize, as áreas protegidas.

A primeira história veio da Ilha do Combu. Ana de Sá contou como o Espaço Aruna nasceu, em 2017, para ser um lugar de encontro entre pessoas, marcas, floresta e comunidade ribeirinha. Bioconstrução, imersões do açaí, eventos corporativos de baixo impacto e um princípio inegociável: a Área de Proteção Ambiental (APA) pede responsabilidade. O Aruna fechou as portas para a madrugada, trocou a lógica de festa pela de reconexão e ajudou a articular o Comitê de Turismo Sustentável do Combu. O indicador que Ana mais gosta não está em planilhas: é ver os vizinhos continuarem no território, com renda digna e orgulho de origem. “Mudança climática é, também, crise de desconexão”, resume. O recém-aprovado plano gestor da APA é um avanço; o próximo passo é garantir o plano de manejo, com diálogo real com a comunidade.

De Manaus a Belém, Matheus Andrade trouxe a visão do chão de fábrica dos hostels. A Rede Local nasceu pequena, mas com uma ideia insistente: causar microrevoluções. Se o turismo responde por uma fatia relevante das emissões, cada detalhe importa. Por isso, filtros de água substituíram garrafas plásticas, a compra prioriza o produtor local, a eficiência energética virou regra e o desenho dos espaços reduz o carbono incorporado. Matheus aprendeu a dizer “não” a comodidades que viram lixo e a explicar por que o preço justo sustenta cadeias justas. A rede agora prepara o Ribeirinho Office, postos de trabalho remotos com internet via satélite, para que gente das comunidades possa atender reservas sem sair de casa. O combate à crise climática, para ele, começa com escolhas cotidianas que viram exemplo para hóspedes e vizinhos.

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Do sul da Bahia veio uma história de 26 anos. Juari Braz Bomfim falou da Reserva da Jaqueira, 827 hectares protegidos por brigadas indígenas, plano de gestão e uma governança que coloca identidade e meio ambiente antes do turismo. A etnovivência recebe milhares de visitantes por ano, mas quem dita o ritmo são as tradições: festival Araguaí, casamento tradicional, artesanato, formação de jovens. Hoje, 17 aldeias Pataxó desenvolvem atividades turísticas em Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Prado. A regra é clara: território é sagrado; latinha e garrafa ficam do lado de fora. Autonomia é o antídoto contra a exploração e o caminho para que a renda circule onde precisa.

Na plateia, um professor de energias renováveis propôs um gesto concreto: calcular os quilômetros voados e plantar árvores suficientes para compensar as emissões. A sugestão encontrou eco imediato, afinal, muitas das iniciativas apresentadas já combinam educação ambiental com plantio e manejo.

Ao final, Pedro costurou as ideias. O Brasil precisa escalar o que já funciona, sem perder a alma dos territórios. Isso pede três movimentos combinados: gestão compartilhada com dados de visitação para guiar investimentos; redes de aprendizagem contínua entre governos, empreendedores e comunidades; e comunicação honesta com o visitante, para que ele entenda o valor do turismo responsável e recuse o barato que sai caro para a natureza e para as pessoas.

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Na saída, ficou a sensação de que o combate às mudanças climáticas não mora em promessas distantes, mas em escolhas repetidas todos os dias: a decisão de uma ilha que regula seus horários, de um hostel que troca a Pringles pela bananinha chips da feira, de um povo que mantém a floresta em pé. É assim, em pequenas e persistentes revoluções, que o turismo vira ação.

PROGRAMAÇÃO – O estande do Ministério do Turismo terá uma programação robusta e estratégica ao longo das duas semanas da COP30. No Auditório Carimbó, especialistas nacionais e internacionais participarão de debates de alto nível sobre turismo regenerativo, financiamento climático, justiça ambiental e a valorização de comunidades tradicionais, promovendo reflexões essenciais para o futuro do setor. Além da agenda de painéis, o MTur aproveitará o espaço para lançar produtos fundamentais voltados à adaptação climática do turismo, entre eles a Trilha Amazônia Atlântica, o Mapeamento do Turismo em Comunidades Indígenas, a série “Pelos Rios da Amazônia” e o Plano de Adaptação Climática do Turismo Brasileiro, reforçando o compromisso do Brasil com inovação e sustentabilidade.

Por Cíntia Luna
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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Viaje por São Miguel das Missões (RS), um encontro com a história do Brasil

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Entre igrejas de pedra, esculturas sacras e vestígios de construções que atravessaram séculos, São Miguel das Missões (RS) preserva um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil. Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 1983, o local guarda as ruínas do antigo povoado de São Miguel Arcanjo, criado por missionários jesuítas e indígenas guaranis durante o período colonial.

Instalado entre os séculos 17 e 18, no território que hoje corresponde ao Brasil e à Argentina, o sítio integra um conjunto de antigas missões. Essas comunidades foram criadas pelos jesuítas para catequizar os povos guaranis, mas também funcionavam como centros de moradia, agricultura, educação, música, arte e produção artesanal.

Com o fim das missões, parte das construções foi abandonada e as ruínas preservadas hoje ajudam a contar essa história.

Reconhecimento

A Unesco reconheceu São Miguel das Missões por preservar o mais importante conjunto preservado das Missões Jesuítico-Guaranis no Brasil. As ruínas da Igreja de São Miguel Arcanjo, da praça central e de outras estruturas do antigo povoado ajudam a compreender como viviam indígenas guaranis e missionários jesuítas entre os séculos 17 e 18.

O sítio brasileiro integra um Patrimônio Mundial compartilhado com quatro antigas missões na Argentina, formando um dos mais importantes conjuntos históricos da América do Sul.

O que fazer

Entre os principais atrativos estão:

  • Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo: principal atração da cidade, reúne as ruínas da antiga igreja, da torre e de construções que faziam parte do povoado missioneiro.

  • Museu das Missões: apresenta imagens sacras, esculturas e objetos produzidos nas antigas missões, além de ajudar o visitante a entender a organização desses povoados.

  • Espetáculo Som e Luz: realizado à noite, usa iluminação e narração para contar a história das Missões Jesuítico-Guaranis.

  • Praça das Missões: em frente às ruínas, oferece uma das principais vistas do conjunto histórico.

  • Artesanato missioneiro: produzido por artesãos da região, reúne peças inspiradas na cultura guarani e na história das missões.

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Quem estiver de carro pode aproveitar a viagem para conhecer outros destinos da Rota das Missões, como Santo Ângelo, São João Batista e o Santuário do Caaró, que ajudam a compreender a história da presença jesuítica no Sul do Brasil.

Quando visitar

São Miguel das Missões pode ser visitada durante todo o ano. Entre outubro e maio, as temperaturas são mais altas e favorecem os passeios ao ar livre.

Entre os principais eventos estão:

  • Espetáculo Som e Luz: realizado regularmente junto às ruínas.

  • Réveillon nas Missões: com apresentações culturais.

  • Semana Nacional dos Museus: com programação especial no Museu das Missões.

  • Semana Farroupilha: celebrada em setembro, com atividades culturais em toda a região.

  • Celebrações religiosas e eventos ligados à cultura missioneira: ao longo de todo o ano.

Como chegar

São Miguel das Missões está localizada na Região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. O acesso mais rápido é pelo Aeroporto Regional Sepé Tiaraju, em Santo Ângelo, a cerca de 50 quilômetros do município. A partir dali o trajeto pode ser feito de carro, ônibus ou traslado.

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Também é possível chegar pelo Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Nesse caso, a viagem até São Miguel das Missões é feita por rodovia, em um percurso de aproximadamente 480 quilômetros.

Para quem viaja de carro, o principal acesso é pela BR-285, que liga a cidade a municípios da Região das Missões e a outras rodovias do estado.

Patrimônio Mundial

A Lista do Patrimônio Mundial reúne locais reconhecidos pela Unesco por sua importância cultural, natural ou histórica para a humanidade. Os bens inscritos são considerados de valor universal excepcional e passam a integrar uma relação internacional de patrimônios, cuja preservação é de interesse mundial.

O Brasil possui atualmente 26 bens inscritos na lista, distribuídos entre as categorias Cultural, Natural e Mista.

Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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