SAÚDE
Lei prorroga aplicação de recursos do FGTS a entidades hospitalares filantrópicas que atuam no SUS
SAÚDE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira (6/8) o Projeto de Lei nº 2465/2026, que prorroga o prazo para aplicação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em operações de crédito destinadas a entidades hospitalares filantrópicas e instituições sem fins lucrativos que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS).
A lei reabre o Programa Caixa Hospitais FGTS, linha de crédito especial que utiliza recursos do fundo para financiar Santas Casas, hospitais filantrópicos e instituições sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência e prestem serviços de forma complementar ao SUS, e prorroga, até 2030, o prazo para a aplicação dos recursos do FGTS.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve presente na cerimônia e destacou o papel das entidades no atendimento à população. “As Santas Casas e os hospitais filantrópicos são parceiros históricos do SUS. As novas condições de financiamento permitem que essas instituições invistam em equipamentos, na estrutura das unidades e na oferta de cirurgias, exames e outros atendimentos”, afirmou.
O objetivo é fortalecer a sustentabilidade econômico-financeira do setor hospitalar, com foco na manutenção e ampliação da capacidade assistencial do SUS de média e alta complexidade, em especial com entidades que aderiram ao Programa Ministerial Agora Tem Especialistas.
Na solenidade, houve a formalização de contratos da Caixa nesta nova edição do programa com o Instituto do Câncer do Ceará (Fortaleza/CE), no valor de R$ 46 milhões; com a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia (Goiânia/GO), no valor de R$ 33 milhões; e com a Santa Casa de Misericórdia de Barretos (Barretos/SP), no valor de R$ 30 milhões. Os financiamentos serão destinados à ampliação da capacidade e à melhoria da infraestrutura hospitalar das instituições beneficiadas.
Na mesma cerimônia, a Caixa e o Ministério da Saúde assinaram um Protocolo de Intenções para reforçar a implementação do Programa Caixa Hospitais FGTS. O instrumento registra a intenção da Caixa de promover a contratação da totalidade dos recursos atualmente disponíveis para o programa, estimados em R$ 2,11 bilhões. O protocolo destaca que a Caixa já possui uma esteira de negócios de R$ 1,58 bilhão, distribuída em 78 entidades em negociação, demonstrando a demanda existente e o potencial de aplicação dos recursos em apoio à rede hospitalar filantrópica e complementar ao SUS.
Dos R$ 8,5 bilhões disponibilizados para a edição 2026 do Programa Caixa Hospitais FGTS, o potencial efetivo de contratação atualmente alcança R$ 5,52 bilhões, considerando apenas as modalidades já regulamentadas e aptas à operação. Desse montante, R$ 3,41 bilhões já foram contratados. Com isso, permanecem R$ 2,11 bilhões disponíveis para novas contratações, volume que a Caixa busca direcionar às entidades elegíveis com a retomada do programa.
Santas Casas
Em 2025, as Santas Casas realizaram 1.326.982 internações. Em 2026, até maio, já foram registrados 547.914 desses procedimentos. Os atendimentos ambulatoriais somaram 74.181.027 em 2025 e alcançaram 104.912.583 entre janeiro e maio de 2026.
1,5 mil hospitais filantrópicos
O Brasil conta com 1.525 hospitais filantrópicos, distribuídos em 1.145 municípios. Essas unidades complementam a rede pública, recebem pacientes de diferentes cidades e garantem atendimento em áreas como urgência e emergência, terapia intensiva, cardiologia, assistência materno-infantil e tratamento de doenças crônicas. Em muitos municípios, são a principal referência hospitalar da população e evitam que pacientes precisem se deslocar para centros urbanos distantes em busca de atendimento.
353 milhões de procedimentos
Entre 2020 e 2025, as Santas Casas ofereceram mais de 353 milhões de procedimentos ambulatoriais e realizaram mais de 7 milhões de internações pelo SUS. Nesse período, foram registradas mais de 3 milhões de cirurgias hospitalares e 3 milhões de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais. Em 2025, o setor filantrópico realizou 1,8 milhão das 14,9 milhões de cirurgias eletivas feitas pelo SUS. São consultas, exames, internações, cirurgias e tratamentos que ajudam a manter o cuidado disponível em diferentes regiões do país.
Combate ao câncer
Na assistência às pessoas com câncer, 205 dos 338 estabelecimentos habilitados para o atendimento oncológico de alta complexidade são filantrópicos, o equivalente a 60,7% da rede. Representam 38 dos 49 Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e 167 das 289 Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Em 2025, esses serviços responderam por 66% das 4,7 milhões de quimioterapias e por 73% dos 189,8 mil procedimentos de radioterapia realizados pelo SUS. Além disso, 82 aceleradores lineares foram destinados a entidades sem fins lucrativos de 20 estados, fortalecendo a estrutura disponível para o tratamento do câncer.
Transplantes
As instituições também são fundamentais para a rede de transplantes do país. Entre 2012 e maio de 2026, as entidades sem fins lucrativos foram responsáveis por 59,7% dos transplantes realizados pelo SUS, totalizando 157.565 procedimentos. A atuação inclui transplantes de coração, fígado, pulmão, rim, intestino, córnea e medula óssea, que oferecem a milhares de pessoas a possibilidade de recuperar a saúde, a autonomia e a qualidade de vida. A participação dessas unidades permite que o SUS mantenha uma rede capaz de oferecer procedimentos de alta complexidade que salvam vidas e ajudam os pacientes a recuperar a saúde e a autonomia.
Benefícios
As medidas asseguram benefícios para a população e a sociedade como um todo, para as economias locais, para o SUS e as políticas públicas de saúde. Os recursos disponibilizados garantem mais dignidade no atendimento, com mais estrutura, equipe e qualidade; mais acesso a especialistas, menos fila, menos espera, menos deslocamento; maior valorização profissional, menor sobrecarga em outras unidades, e expansão da oferta de especialidades e ampliação da capacidade operacional do SUS, entre outras melhorias.
Conheça as entidades beneficiadas com os recursos do Programa Caixa Hospitais FGTS:
- Instituto do Câncer do Ceará – Localizado em Fortaleza, trata-se de uma instituição privada e filantrópica de referência em oncologia, além de estruturas voltadas à assistência hospitalar, ensino, pesquisa, inovação, saúde suplementar e responsabilidade social. As áreas de atuação envolvem assistência médico-hospitalar, com especialização em oncologia, abrangendo prevenção, diagnóstico, tratamento, cuidado integral ao paciente oncológico, ensino, pesquisa, inovação em saúde e ações sociais de apoio a pacientes do SUS.
- Santa Casa de Misericórdia de Goiânia – A Santa Casa de Misericórdia de Goiânia é uma instituição filantrópica de referência regional, dedicada à assistência hospitalar, ambulatorial e laboratorial, com forte atuação no atendimento ao SUS. Vinculada à PUC Goiás como hospital de ensino, oferece formação e residência médica. Atua como hospital de ensino credenciado, oferecendo programas de residência em diversas especialidades e desenvolvendo atividades assistenciais, educacionais e laboratoriais.
- Santa Casa de Misericórdia de Barretos – A Santa Casa de Misericórdia de Barretos é uma instituição hospitalar filantrópica com mais de um século de atuação no setor de saúde, consolidando-se como hospital geral de grande porte e referência regional na prestação de serviços de média e alta complexidade. Atualmente, atua como unidade estruturante do SUS na região, atendendo também pacientes de convênios e particulares, e prestando serviços em diversas áreas, incluindo urgência e emergência, internações clínicas e cirúrgicas, procedimentos de alta complexidade e apoio diagnóstico.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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Oito Centros de Convivência passam a integrar a rede de saúde mental do SUS
O Brasil passa a contar com oito Centros de Convivência (CECOs), habilitados para integrar a rede de saúde mental do Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Voltados à convivência, à participação social, à promoção da cidadania e à inclusão social, os CECOs desenvolvem atividades culturais, educativas, esportivas, de lazer, economia solidária e interação comunitária. Os espaços são abertos à população em geral e têm papel estratégico para pessoas em sofrimento psíquico e em situação de vulnerabilidade social, complementando as ações da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
A medida foi oficializada pelas Portarias GM/MS nº 12.016 e GM/MS nº 12.013, de 23 de julho de 2026, publicadas no Diário Oficial da União (DOU). Conforme previsto nas normativas, os oito Centros de Convivência (CECOs) habilitados receberão, em conjunto, R$ 300 mil mensais para custeio, o que representa R$ 3,6 milhões em recursos federais por ano para manutenção dos serviços.
Os serviços habilitados serão implantados nos seguintes municípios:
- Uberlândia (MG)
- Betim (MG)
- Boa Esperança (MG)
- Curvelo (MG)
- Virgolândia (MG)
- Contagem Carmo (RJ)
- Joinville (SC)
“Os Centros de Convivência já fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial há muitos anos e demonstram, na prática, sua potência na promoção da saúde mental, da cidadania e da inclusão social. Com a habilitação e o financiamento federal fortalecemos uma estratégia fundamental para a reabilitação psicossocial e para a construção de vínculos comunitários”, afirma o diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati.
Fortalecimento de laços sociais e à promoção da cidadania
Os Centros de Convivência são espaços comunitários voltados ao fortalecimento de laços sociais, à promoção da cidadania e ao protagonismo dos participantes. Neles, a população em geral pode participar de atividades de convivência, cultura, esporte, lazer e economia solidária que favorecem a inclusão social, a ampliação da circulação nos territórios e a construção de vínculos comunitários.
Entre as iniciativas desenvolvidas nos CECOs estão ações relacionadas à arte, cultura, comunicação, esporte, lazer, economia solidária, comercialização e formalização de empreendimentos. As atividades estimulam a participação social, o protagonismo e a troca de saberes entre os conviventes, que podem atuar tanto como aprendizes quanto como multiplicadores de conhecimentos. Além de fortalecer vínculos comunitários, os espaços contribuem para que os participantes reconheçam suas potencialidades e ampliem suas possibilidades de inclusão social e de geração de renda por meio de iniciativas como artesanato, culinária e outros empreendimentos coletivos.
Eduarda Paixão
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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