JURÍDICO
Dia Mundial da Água: OAB se faz atuante nos debates e alerta para riscos
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Instituído pela Organização das Nações Unidas em 22 de março de 1993, o Dia Mundial da Água é comemorado como um alerta. A data é um esforço da comunidade internacional para colocar em pauta questões essenciais que envolvem os recursos hídricos. Nos últimos anos, o Brasil viu crescer ainda mais a relevância da pauta, diante de crise hídrica, chuvas em volume inesperado, para além de problemas antigos de saneamento e tratamento de água.
A OAB Nacional instalou, em 2019, pela primeira vez, uma comissão para tratar do tema. A atual presidente da Comissão Nacional de Direito Ambiental, Ana Carolina Barchet, afirma que as tarefas são numerosas. “A OAB pode fazer um acompanhamento de fiscalização do uso da água, das normas que regem a utilização da água. A água no Brasil não é um problema, não é escassa, mas a forma como usamos, como é fiscalizado é que pode vir a tornar a água um problema, escassa”, diz.
De acordo com ela, a “falta de tratamento de água decente, poluição dos mares, saneamento básico são problemas sérios. E os órgãos no Brasil estão sucateados, a população carece de educação sobre o tema e todos os problemas relacionados”. Assim, quando o país passa por um período de cinco anos de estiagens e uma alteração no ritmo das chuvas, com precipitações mais intensas neste ano, as tragédias ambientais são ainda maiores e se somam às do dia a dia.
“Como instituição, a OAB pode verificar o cumprimento das normas e auxiliar no aprimoramento dessas normas. Não basta ter normas, elas precisam ser exequíveis a médio e longo prazo. É possível e desejável também conversar mais de perto com a agência reguladora”, enumera Barchet.
De acordo com os dados oficiais, mais de 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada. O sistema de tratamento também acumula perdas importantes. “Não ter acesso a água fere direitos básicos da população, como o direito à saúde. É impossível ter saúde sem água tratada”, enfatizou.
Barchet lembra, ainda, que os problemas brasileiros na matéria estão mais na cidade que no campo, e, portanto, a OAB empreende atuação conjunta entre as comissões de Meio Ambiente e as que tratam de planejamento urbanístico, saneamento básico e água.
*Importância de destaque*
Conselheira federal da Paraíba, Marina Motta Benevides Gadelha é presidente da Comissão Especial de Mudanças Climáticas e Desastres Ambientais. Ela lembrou que o Dia Mundial da Água, em 2022, é uma data de destaque por alguns motivos. Neste ano, completa-se 30 anos que foi instituída. Em 2010, a ONU passou a considerar o acesso à água segura e limpa e saneamento básico como um direito humano. E, no Brasil, a Lei da Política Nacional dos Recursos Hídricos faz 25 anos.
“Não está expresso na nossa Constituição que acesso a água limpa e segura é um direito desta forma como a ONU definiu. Mas se a gente fizer uma interpretação teleológica dos artigos 225, do meio ambiente, e 5°, a gente chega à mesma conclusão, de que se trata de um direito fundamental a universalização da água e saneamento”, disse.
Ela defende que a OAB atue de forma a buscar que as normas que já existem, como a própria Política Nacional de Recursos Hídricos, sejam integralmente implementadas. “Nós também podemos e devemos lutar por reformas legislativas para garantir esse acesso universal à água em quantidade e qualidade suficientes. A nossa legislação precisa ser atualizada em relação à água”.
De acordo com Marina, os padrões brasileiros não são atualizados há muito tempo e, assim, se tornaram inferiores que os de outros países. Dessa forma, a legislação brasileira permite que se considere boa uma água que não é vista dessa forma, sob novos critérios, em outros países.
A questão da água foi, ainda, um problema mais sensível nos últimos anos também em decorrência da crise sanitária provocada pelo novo coronavírus. “As pessoas às vezes nem tinham água de qualidade para fazer a higiene necessária de que tratavam as campanhas”, pontuou.
Mas, em 2022, a ONU também quer dar visibilidade ao invisível, ou seja focar na proteção dos aquíferos subterrâneos “A gente não vê essa água, mas o Brasil tem aquíferos importantíssimos, reservas imensas e eles são, também, ecossistemas específicos e importantes. A nossa legislação que os protege precisa também ser atualizada.”
JURÍDICO
Presidente do STF Rosa Weber participa de encontro do Judiciário no TRF-4 e inaugura novas instalações do TRE-RS
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Rosa Weber, encerrou, na sexta-feira (12), em Porto Alegre (RS), o III Encontro Nacional de Memória do Poder Judiciário (Enam). No evento, realizado no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), ela recebeu uma placa pelo reconhecimento de sua atuação na defesa dos direitos humanos e na preservação, valorização e difusão da memória do Judiciário.
Em seu discurso, a presidente do STF e do CNJ enfatizou o papel fundamental do Judiciário no atual contexto do país. “Reafirma-se a ideia de um Judiciário unido e forte, ideia que há de ser amplamente difundida como contraponto à campanha de desinformação que alimentou a gênese dos atos criminosos do último dia 8 de janeiro”, afirmou.
Memória institucional
A ministra Rosa Weber ressaltou que o Judiciário deve preservar a memória institucional para que o episódio não seja esquecido e como uma condição para que não se repita. “E para que relembremos, sempre, a indispensabilidade do cultivo diuturno da nossa democracia e do aperfeiçoamento das
instituições democráticas no Brasil. Uma sociedade sem história está condenada a repetir os seus erros”, ponderou.
Diretrizes
O III Enam, que reuniu mais de 350 magistradas, magistrados, servidoras e servidores do Judiciário de todo o Brasil, teve por objetivo traçar diretrizes para dar um tratamento adequado aos documentos relevantes, para preservação da sua história, demonstrando seu papel na construção da cidadania do povo brasileiro.
O evento teve por tema “Estruturando a memória” e foi promovido de forma conjunta pelo CNJ e cincos tribunais gaúchos: TRF-4, Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4), Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) e o Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul (TJM-RS).
Medalha Moysés Vianna
Ainda na sexta-feira, a ministra Rosa Weber participou da instalação da nova sede do TRE-RS, no Centro Histórico de Porto Alegre. Na ocasião, ela recebeu a Medalha Moysés Vianna do Mérito Eleitoral, mais alta distinção da Justiça Eleitoral gaúcha, destinada a personalidades que tenham se destacado em matéria de Direito Eleitoral ou no aperfeiçoamento da Justiça Eleitoral.
O presidente do TRE-RS, desembargador Francisco José Moesch, destacou a trajetória exemplar da ministra de dedicação ao serviço público e aos direitos humanos. Frisou ainda a importância do trabalho dela à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2018, quando impulsionou o cadastramento biométrico nacional.
Marco de resiliência, determinação e tenacidade
O ministro do STF e presidente do TSE, Alexandre de Moraes, enviou mensagem alusiva à
condecoração recebida pela ministra Rosa Weber. Ele destacou a firme e efetiva atuação dela na reconstrução do Supremo após a invasão do 8 de janeiro, ressaltando que sua “liderança construtiva é um marco de resiliência, determinação e tenacidade”.
Veja a íntegra da mensagem do ministro Alexandre de Moraes
Foi o Rio Grande do Sul que produziu José Francisco de Assis Brasil, pai da nossa Justiça Eleitoral, e Moysés Antunes Vianna, juiz que, aqui mesmo, no Rio Grande, deu a vida pela correção eleitoral, já nos primeiros anos de vigência do Código Eleitoral Assis Brasil.
Por tudo isso, é muito significativo ver agraciada com a Medalha Moysés Vianna a Ministra Rosa Weber, cinco meses após o infame 08 de janeiro em que a sede do Supremo Tribunal Federal foi vilipendiada por vendilhões da democracia. Vossa Excelência, caríssima Ministra Rosa Weber, em menos de um mês promoveu a reconstituição do Supremo, retomando os trabalhos já no dia 1º de fevereiro seguinte. Assim, a liderança construtiva de Vossa Excelência é um marco de resiliência, determinação e tenacidade.
Em nome do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ministro Alexandre de Moraes, tenho a imensa satisfação de parabenizar Vossa Excelência, Ministra Rosa Weber, pela Medalha Moysés Vianna, concedida pela Corte Eleitoral gaúcha, cuja Escola recebe o nome de outro grande filho dos pampas, Paulo Brossard de Souza Pinto, assim como Vossa Excelência, antigo Presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Vossa Excelência honra o Rio Grande, a Justiça brasileira e o nosso País!
Com informações e fotos do CNJ, TRF-4 e TRE-RS.
Fonte: STF
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