BRASIL
MJSP divulga relatório e recomenda que plataformas exijam alvará para remunerar produtores de conteúdo infantojuvenil
BRASIL
Brasília, 12/6/2026 – Nesta sexta-feira (12), Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), encaminhou ofício às principais plataformas digitais com recomendações para adequação ao ECA Digital (Lei nº 15.211/2025).
O ofício foi baseado no Relatório do Comitê Consultivo articulado pelo MJSP, publicado na mesma data. As empresas oficiadas também receberam a íntegra do estudo feito pelo colegiado para diagnóstico e formulação de proposta para a regularização e fiscalização da atividade artística de crianças e adolescentes em ambientes digitais, nos termos da Portaria SEDIGI/MJSP nº 1, de 1º de abril de 2026.
Segundo o documento, a partir de 17 de junho, YouTube, Instagram, Facebook, TikTok, Twitch e Kwai devem se abster de monetizar ou impulsionar conteúdos que explorem, de forma habitual, a imagem ou a rotina de crianças e adolescentes sem autorização judicial. A exigência está prevista no art. 34 do Decreto nº 12.880/2026, que regulamenta o ECA Digital.
A norma também proíbe veiculação, monetização ou impulsionamento de conteúdos que exponham crianças ou adolescentes a situações violadoras, vexatórias ou degradantes.
“O objetivo do Comitê Consultivo foi avaliar as novas diretrizes resultantes da vigência do ECA Digital. Ao longo dos meses de abril e maio, foram realizadas reuniões com ampla participação interinstitucional e do setor interessado”, ressaltou o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes.
A Sedigi recomendou ainda que as plataformas notifiquem todos os perfis sobre a obrigatoriedade de autorização judicial para conteúdos remunerados e adotem meios de verificação dos que já possuem alvará para atividade artística, conforme o art. 149 da Lei nº 8.069/1990.
Participaram do Comitê Consultivo representantes da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e da Secretaria de Acesso à Justiça (Saju), além dos Ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e do Trabalho e Emprego (MTE), e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).
Representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil (Conaeti), além de especialistas, pesquisadores e integrantes de organizações da sociedade civil também contribuíram com os debates.
Principais orientações do Comitê Consultivo
Entre as sugestões apresentadas pelo colegiado, estão:
• Adoção de diretrizes nacionais unificadas para o trabalho artístico de crianças e adolescentes em ambiente digital pelo CNJ e pelo CNMP;
• Previsão de conteúdo mínimo padronizado para autorizações judiciais, com exigência de consentimento da criança ou do adolescente, salvaguardas sobre frequência escolar, definição de conteúdos permitidos, e cláusula financeira para que eventuais rendimentos sejam revertidos em seu favor;
• Centralização da emissão de alvarás judiciais na Vara da Infância e Juventude do domicílio da criança ou do adolescente, permitindo o acompanhamento efetivo do cumprimento das condicionantes previstas na autorização judicial;
• Criação de um repositório nacional de alvarás judiciais para atividade artística de crianças e adolescentes em ambiente digital, mantido por solução tecnológica pública, com funcionamento centralizado e interoperável, minimização de dados, preservação do segredo de justiça e consulta automatizada por plataformas, poder público e sociedade civil;
Banco nacional de alvarás
Na terça-feira (9), o conselheiro Fábio Francisco Esteves apresentou ao Plenário do CNJ minuta de resolução sobre a autorização judicial para atividade artística de crianças e adolescentes em ambiente digital, elaborada a partir do relatório do Comitê Consultivo articulado pelo MJSP. A votação está prevista para 23 de junho.
A minuta prevê a criação do Banco Nacional de Alvarás para a Participação de Crianças e Adolescentes no Ambiente Digital (BNAD), permitindo fiscalização e controle social. O juiz responsável pela concessão poderá estabelecer condições para proteger a saúde física, mental e emocional da criança ou do adolescente e preservar sua privacidade e dados pessoais.
Os alvarás emitidos antes da entrada em vigor da norma permanecerão válidos até o término de sua vigência. Os novos terão validade máxima de 12 meses para crianças e de 18 meses para adolescentes, podendo ser revistos a qualquer tempo. A proposta também traz modelos de autorizações judiciais, com conteúdo mínimo obrigatório e vedação a conteúdos inadequados ou proibidos.
A concessão do alvará pelas Varas da Infância e Juventude não afasta a atuação dos órgãos de fiscalização do trabalho, do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho na apuração de casos de trabalho infantil irregular, fraude trabalhista, exploração econômica indevida e violações relacionadas às condições de trabalho, à saúde, à segurança e à remuneração.
BRASIL
Governo cria Fundo imobiliário para modernizar gestão do patrimônio público
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), por meio da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), finalizou, em conjunto com a Caixa, a modelagem da operação do Fundo de Investimento Imobiliário Imóveis da União (FII Imóveis da União). A iniciativa visa modernizar a gestão do patrimônio imobiliário federal e ampliar o aproveitamento econômico de imóveis públicos.
O produto foi anunciado nesta quinta-feira (11/6) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela ministra da Gestão, Esther Dweck, e pelo presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes, em evento no Palácio do Planalto. O aporte inicial do Fundo se dará por meio da integralização de 55 bens da União no Distrito Federal, entre terrenos em áreas valorizadas, prédios destinados a reforma e lotes para desenvolvimento imobiliário. No total, o valor patrimonial desses imóveis está estimado em R$ 1,1 bilhão. Não estão previstos aportes de recursos do Tesouro ao FII.
Como será composto por imóveis sem vocação para políticas públicas sociais ou de infraestrutura, não há risco de concorrência com o programa Imóvel da Gente, cujo objetivo é destinar o patrimônio da União para impulsionar projetos de educação, saúde, cultura, assistência social ou se transformar em moradia para a população. Ao contrário, como pondera a ministra da Gestão, Esther Dweck, o FII servirá para impulsionar o programa.
“Os imóveis que serão aportados no Fundo neste primeiro momento não geram receitas e implicam em custo de conservação e manutenção para a União. A criação do FII permitirá mais eficiência na gestão do nosso patrimônio, com a reversão dos resultados para políticas públicas prioritárias”, afirmou a ministra.
O principal objetivo do FII é a qualificação dos ativos imobiliários federais para atender a administração pública federal, proporcionando também uma redução nos custos com aluguéis e manutenção. O modelo de operação prevê três frentes principais de atuação do Fundo:
-
Venda de imóveis sem vocação para políticas públicas;
-
Reforma e requalificação de prédios com potencial de uso pela administração pública;
-
Desenvolvimento imobiliário em grandes áreas em benefício da administração pública.
A secretária de Patrimônio da União, Carolina Stuchi, disse que o Fundo também estará focado em fazer vendas melhores do patrimônio público inoperante, quando a operação se justificar. “Um imóvel que não serve mais nem para a administração pública nem para uma política social específica, como habitação, pode ser alienado, desde que a receita seja reinvestida na qualificação patrimonial”, explicou Stuchi. A União tem mais de 3 mil imóveis sem uso e que não têm características nem para atender políticas públicas, nem para sediar funções administrativas.
No modelo definido, os imóveis serão integralizados ao Fundo em troca de cotas. O governo federal será o único cotista do FII Imóvel da União, mantendo o controle estratégico sobre a carteira de ativos e sobre as decisões de investimento. “Estamos fazendo uma experiência controlada, com muita segurança jurídica, para entender como vai funcionar. Nossa intenção é que, a partir dos resultados, possamos ganhar escala e replicar o desenho para mais imóveis”, explicou Stuchi.
A Caixa será responsável pela administração do produto e pela gestão da carteira imobiliária, em conformidade com o regulamento do FII e com as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “É uma solução de mercado que combina a expertise da Caixa na gestão de fundos imobiliários e visão de política pública. Nosso compromisso é administrar o fundo de forma a valorizar e qualificar o patrimônio da União, ampliando seu potencial de geração de desenvolvimento e benefícios para a sociedade”, ressaltou o presidente da Caixa, Carlos Vieira.
O FII já foi apresentado ao Tribunal de Contas da União (TCU) durante reunião entre a ministra Esther Dweck e o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho. Como se trata de uma operação patrimonial, o aporte para a constituição do Fundo não exige dotação orçamentária, conforme acórdão do próprio TCU em 2022.
Autorizado desde 2015 pela lei 13.240, o Fundo será regulamentado por uma portaria da SPU que definirá seus objetivos e critérios de seleção de imóveis para integralização. Após essa etapa, haverá a assinatura de contrato com a Caixa, a constituição da Assembleia de Cotistas, a aprovação do regulamento e a formação do Comitê de Investimento.
Leia também
MGI anuncia novas entregas de imóveis para uso social e supera meta de destinações em quase 20%
Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
-
EDUCAÇÃO6 dias atrásMEC Idiomas: aprenda inglês e espanhol gratuitamente
-
ESPORTES5 dias atrásAntonelli domina o caos em Mônaco e dispara na liderança do Mundial
-
POLÍTICA MT2 dias atrásBotelho cobra apuração sobre denúncias de despejo irregular de esgoto no rio Araguaia
-
FAMOSOS7 dias atrásPriscila Senna aposta em figurino de chapéu de palha para abrir temporada de São João

