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Governo do Brasil aprova o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035
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O Governo do Brasil aprovou, nesta quinta-feira (2/7), o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035). A medida foi oficializada por meio de portaria publicada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no Diário Oficial da União (DOU), que consolida o estudo elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O documento apresenta projeções para a evolução da oferta e da demanda de energia no Brasil nos próximos dez anos, servindo como referência para decisões de investimento, formulação de políticas públicas e planejamento dos diferentes segmentos do setor energético.
Principal instrumento de planejamento energético de médio prazo do país, o PDE 2035 consolida uma visão integrada para o desenvolvimento do setor energético brasileiro, incorporando de forma mais estruturada temas que ganharam relevância nos últimos anos, como a transição energética justa e inclusiva, o enfrentamento da pobreza energética, a adaptação às mudanças climáticas e o fortalecimento da resiliência dos sistemas energéticos.
Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a aprovação do PDE 2035 reafirma o compromisso do Brasil com um planejamento energético sólido, transparente e alinhado aos desafios da transição para uma economia de baixo carbono. “O plano projeta a expansão da oferta de energia com forte protagonismo das fontes renováveis, ao mesmo tempo em que incorpora temas essenciais como segurança energética, inclusão social, combate à pobreza energética e adaptação às mudanças climáticas. Trata-se de um instrumento fundamental para orientar investimentos, fortalecer a competitividade do país e garantir que o desenvolvimento do setor energético ocorra de forma sustentável, justa e resiliente”, destaca Silveira.
Expansão da oferta com liderança em energias renováveis
As projeções indicam crescimento contínuo da demanda energética brasileira ao longo dos próximos dez anos. O consumo final de energia aumenta 1,8% ao ano até 2035, impulsionado pela expansão da atividade econômica e pelo aumento do consumo em todos os principais setores da economia, incluindo transportes, indústria, setor residencial, comércio e serviços.
Para atender a essa demanda crescente, a oferta interna de energia cresce 2,3% ao ano. Mesmo diante desse crescimento, o Brasil mantém uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, com participação das fontes renováveis atingindo 51% da oferta interna de energia em 2035.
No setor elétrico, o plano projeta a manutenção do elevado protagonismo das fontes renováveis na matriz de geração de energia elétrica. Em 2035, essas fontes respondem por mais de 85% da geração elétrica nacional, com destaque para a expansão da geração solar e eólica e para o crescimento da geração distribuída, reforçando a trajetória de diversificação da matriz elétrica brasileira.
O PDE 2035 projeta ainda a ampliação da capacidade instalada de geração elétrica do Brasil dos atuais 255 GW para aproximadamente 367 GW em 2035, uma expansão de cerca de 110 GW ao longo dos próximos dez anos. O crescimento ocorre majoritariamente por meio de fontes renováveis, reforçando a liderança brasileira na construção de uma economia de baixo carbono.
Para viabilizar a trajetória de expansão da oferta interna de energia, o plano sinaliza investimentos da ordem de R$ 3,5 trilhões no horizonte decenal, abrangendo os diversos segmentos do setor energético. Os investimentos contribuirão para a expansão da infraestrutura, o atendimento à demanda crescente, a geração de emprego e renda e o fortalecimento da competitividade do Brasil em um contexto global de transformação energética.
Transição energética justa e combate à pobreza energética
Entre os destaques desta edição está o aprofundamento das análises relacionadas à transição energética justa e inclusiva. Em alinhamento à Política Nacional de Transição Energética (PNTE) e ao Plano Nacional de Transição Energética (Plante), o plano incorpora discussões sobre geração de empregos verdes, requalificação profissional, desenvolvimento regional, participação social e proteção de populações mais vulneráveis aos impactos das transformações do setor energético.
O PDE 2035 também reforça a importância do enfrentamento da pobreza energética como um dos desafios centrais para a promoção do desenvolvimento sustentável. Embora o acesso físico à energia elétrica esteja praticamente universalizado no país, o plano destaca a necessidade de ampliar o acesso econômico à energia e garantir que seus benefícios sejam compartilhados por toda a população brasileira.
Planejamento, participação social e transparência
O ciclo de elaboração do PDE 2035 teve início no fim de 2024 e contou com ampla participação da sociedade por meio da Consulta Pública nº 214/2026, realizada entre 12 de fevereiro e 30 de março de 2026. Durante o período da consulta pública foram recebidas 846 contribuições encaminhadas por 62 instituições representativas de diferentes segmentos da sociedade. Todas as contribuições foram analisadas pelas equipes técnicas da EPE, resultando em revisões e aperfeiçoamentos do conteúdo final do plano.
O engajamento da sociedade reforça o compromisso do Governo do Brasil e da EPE com um planejamento energético cada vez mais transparente, participativo e baseado em evidências técnicas, fortalecendo a legitimidade das decisões e das políticas públicas para o setor.
Além do relatório final, o processo de elaboração do PDE 2035 contou com a publicação de 15 cadernos temáticos e a disponibilização de estudos e documentos complementares, ampliando a transparência e o acesso às informações que fundamentam o planejamento energético nacional. O material inclui uma ferramenta interativa com os principais resultados do plano.
Acesse o material do PDE 2035 aqui.
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Papel do Estado na transição educação é tema do seminário States in Transitions
Representantes do governo, pesquisadores e especialistas em educação participam, nesta quarta-feira (01/07), da 7ª edição do seminário States in Transitions que discute a transição educacional. O evento é promovido pela Secretaria Extraordinária para a Transformação do Estado (Sete) do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Na parte da manhã, a mesa de abertura do seminário contou com a participação do diretor de programa da Sete/MGI, Guilherme Almeida, e da diretora de Apoio à Gestão Educacional da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (SEB/MEC), Anita Stefani. Os painelistas destacaram a necessidade de repensar a educação diante das transformações tecnológicas e sociais, com políticas públicas capazes de preparar estudantes para participar de forma crítica e produtiva desse novo contexto.
Almeida afirmou que o seminário busca reunir diferentes contribuições para ampliar a compreensão sobre as mudanças em curso na educação e subsidiar a formulação de políticas públicas. “A ideia é consolidar, registrar e disseminar essas contribuições para que possamos entender melhor o que está acontecendo para formular melhores políticas públicas”, disse.
Para a diretora de Gestão Educacional da SEB/MEC, a reformulação do ensino básico é uma necessidade. “Precisamos mudar a forma de ensinar para que as crianças estejam incluídas de forma produtiva e não meros consumidores tecnológicos”, defendeu Stefani.
Futuro da educação exige projeto de longo prazo
Ainda no período da manhã, o evento contou com dois painéis temáticos. O primeiro deles, que abordou as macrotendências e futuros possíveis foi mediado pelo superintendente executivo do Instituto Unibanco e Professor da Fundação Dom Cabral, Ricardo Henriques.
Participaram desse debate: Luciano Meira, professor associado de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Seiji Isotani, professor associado e diretor do programa Learning Analytics and Artificial Intelligence, da Universidade Harvard, e pesquisador do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais da Universidade Federal de Alagoas (NEES-UFAL); e Lucia Dellagnelo, diretora adjunta da área de Educação e Competências da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os especialistas falaram sobre os impactos da inteligência artificial, as mudanças demográficas, as transformações econômicas e a aceleração tecnológica nos processos de ensino e aprendizagem. O debate também destacou a necessidade de um projeto de longo prazo. “Nenhuma política de quatro anos da conta de realmente gerar mudanças significativas na educação”, declarou Dellagnelo.
Na avaliação de Isotani, o debate sobre inteligência artificial precisa ir além dos riscos frequentemente associados à tecnologia. Para ele, é fundamental considerar seu potencial para ampliar a aprendizagem e desenvolver novas formas de resolver problemas. “Esse medo não é totalmente infundado, mas também precisamos olhar as oportunidades que a inteligência artificial oferece para ampliar a capacidade de aprendizagem e de resolução de problemas”, destacou.
Ao abordar os desafios da transformação digital na educação, Meira defendeu que o sucesso da inteligência artificial nas escolas passa pela valorização e qualificação dos professores. Ele argumentou que o uso da tecnologia deve estar associado ao desenvolvimento de competências pedagógicas. “Precisamos formar professores desde a licenciatura até a formação continuada para que utilizem a inteligência artificial de forma crítica, ética e estratégica”, afirmou.
Competências, tecnologia e equidade
O segundo painel do seminário foi moderado por Ricardo Cardozo, diretor de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e discutiu quais conhecimentos e competências devem ser priorizados para preparar estudantes diante das transformações em curso na sociedade. Ele defendeu o uso das novas tecnologias com responsabilidade. “O dano de não usar a inteligência artificial talvez seja maior do que o risco de usá-la. Mas esse uso precisa ser debatido e orientado”, pontuou.
Gabriela Gambi, especialista em educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), alertou sobre a necessidade de não limitar o futuro da educação brasileira apenas uso de inteligência artificial. “O risco é transformar a novidade tecnológica no centro do debate e perder de vista os problemas educacionais e sociais que realmente precisamos resolver”, explicou.
Durante sua participação no painel, Katia Smole , diretora executiva do Instituto Reúna, destacou que o uso das novas tecnologias deve servir a preservação da humanidade no processo de ensino. “Acho que a grande função da escola com a Inteligência Artificial é preservar esse núcleo humano que fala de ética, de empatia, de diversidade e de equidade”, afirmou.
Lilian Bacich, diretora da Tríade Educacional e pesquisadora no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), defendeu que o ensino deve “tirar o conhecimento puro, específico, mas focar no que que esse conhecimento pode provocar de desenvolvimento para esses estudantes em termos de habilidades e de competências”.
O painel contou ainda com a participação de Tiago Bartholo, professor titular do Colégio de Aplicação e docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGE-UFRJ), retomou a importância de se combater as desigualdades sociais. “As desigualdades elas estão presentes de forma muito, muito, importante desde a primeira infância. E se a gente não der conta disso, se a gente não resolver o básico sobre essas dimensões da aprendizagem, não tem cidadania e não tem justiça social”, declarou.
A sétima edição do seminário States in Transitions contou ainda com outros dois painéis, realizados no período da tarde. Os encontros abordaram as formas de ensinar em um mundo já transformado e o estado da arte do ecossistema de inovação. Ao final dos painéis, grupos de trabalho se reuniram para discutir os assuntos debatidos ao longo do dia.
Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
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